
Eis um tema tão simples e ao mesmo tempo tão complexo, que nos traz tantas dúvidas, angústias , bem como tantas certezas, é verdadeiramente ambíguo.
Todos nós sabemos o que é a rotina e a sua importância, mas aqui vai um lembrete.
A rotina é algo que é constante e consistente durante um período de tempo e de espaço.
Temos a rotina do dia, da semana, do mês, do acordar, do adormecer, e muitas outras.
A rotina ordena a vida e é saudável. Dá-nos uma segurança interna, através da
previsibilidade, tornando-nos mais calmos e estáveis, regula-nos, normaliza-nos e ao
mesmo tempo torna-nos mais flexíveis, auxiliando-nos na definição de papéis e
responsabilidades.
Se nos faz isso tudo, imaginem nas crianças!
Faz tudo isso e muito mais. A criança consegue, principalmente crianças mais pequenas, ganhar um sentimento de controlo sobre o mundo e a confiança necessária para atuar nele. Ao tornar-se automática, liberta a criança para poder estar centrada no momento, sem preocupação com o que virá a seguir, pois já está adquirido, já prevê.
Mas rotina não é ritmo. Rotina é uma repetição de ação, formada e certa. Enquanto que ritmo é algo vivo e criativo. É um respirar entre acontecimentos, pensamentos e ações. É uma verdadeira respiração, inspirar e expirar, inspirar e expirar…
O ritmo cria harmonia, é um elemento comum a tudo o que é vivo, e vive nas mais pequenas coisas do dia-a-dia.
O lado bonito do ritmo são os rituais, é aí que entra todo um universo mágico da vida em família. Os rituais são pequenos gestos, conscientes, que marcam um momento específico do dia e da rotina. São momentos simples, cheios de delicadeza, de amor, de singularidade, mas em partilha com aqueles que mais amamos. É nos rituais que podemos
tornar os momentos comuns em algo único, precioso e específico, aproveitando-os também para transmitir os nossos valores. Facilitam a organização do dia, a autonomia dos nossos filhos, e aumenta o sentimento de pertença, reforçando os laços entre pais e filhos.
No fundo, é através deles que cada família expressa a sua forma de estar, e tudo o que a torna única.
Precisamos de pensar e planear a rotina dos nossos filhos, tendo em consideração a delicadeza e a beleza dos rituais. Os nossos gestos têm que ser belos, bons, verdadeiros, constantes, ordenados e simples. Estamos a oferecer aos nossos filhos calor. Calor anímico e espiritual para que se sintam amados, seguro se, para que se coloquem no mundo de um modo harmonioso.
As rotinas, o ritmo e os rituais são tão diversos e únicos como as famílias. Cabe a cada uma decidir o que faz sentido para si e para cada elemento. Temos de parar um pouco e ter consciência das nossas ações sem nunca esquecer que, a cada dia, temos uma nova oportunidade para adquirir e experimentar novas rotinas e rituais, até conseguirmos encontrar o que nos faz sentido enquanto família.
Estamos dispostos a parar, a refletir e a direcionar o nosso foco, para o que realmente é importante e saudável para a nossa família?
Vamos ser todos ainda mais felizes e leves!
Termino com uma frase de Aristóteles: “Somos o que repetidamente fazemos.
A excelência, portanto, não é um feito, mas um hábito”.
Comments